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22 de abril: Dia da Terra


 



Passavam pelo ar aves repentinas 
O cheiro da terra era fundo e amargo, 
E ao longe as cavalgadas do mar largo 
Sacudiam na areia as suas crinas. 

Era o céu azul, o campo verde, a terra escura. 
Era a carne das árvores elástica e dura, 
Eram as gotas de sangue da resina 
E as folhas em que a luz se descombina. 

Eram os caminhos num  lento, 
Eram as mãos profundas do vento 
Era o livre e luminoso chamamento 
Da asa dos espaços fugitiva. 

Eram os pinheiros onde o céu poisa, 
Era o peso e era a cor de cada coisa, 
A sua quietude, secretamente viva, 
A sua exaltação afirmativa. 

Era a verdade e a força do mar largo 
Cuja voz ,quando se quebra, sobe, 
Era o regresso sem fim e a claridade 
Das praias onde a direito o vento corre. 

Sophia de Mello Breyner Andresen, “Paisagem” In Poesia, 1944

 Fotografia: reserva natural de Alberta, Canadá

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